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…o tempo, o telefonema, o carinho de uma amizade, o calor brando da manhã, o frio meigo da madrugada, a censura, à vontade, o resgate, a boa comida, um intenso abraço, o rosto leve, a saudade resignada…

E nas páginas de vida jogada fora, entre noites mal dormidas e desamores, no meio de um atordoado e emaranhado tormento solitário e desalento grupal, me encontro num cruel pretexto de sustentar meus vícios, minhas curas, minhas dores e minhas vontades, estas já extintas desde o tempo em que, com posse dos meus melhores tesouros, desfrutava as delícias de uma existência mais bela que a loucura cega!

No meu caso sim!

Nem tudo é tão mal. Esses momentos de tristeza aproveito as levas de inspiração e crio. Tudo bem que sempre vem textos complexos e bastante melancólicos. Mas como diz sabiamente Vínicius de Moraes: “…pra fazer um samba com beleza / É preciso um bocado de tristeza / É preciso um bocado de tristeza…”.

Tristeza não combina comigo, é o que dizem… Mas podem se decepcionar, não sou forte. Nem um pouco! E isso me dá o direito de me magoar profundamente, de querer morrer às vezes, de não ter vontade de sair debaixo dos lençois, nem de comer, de chorar diariamente trocentas vezes…

E pra ilustrar o que quero dizer, deixo com vocês um fruto do meu estado hoje:

E se partisse para um lago sem fundo.

E neste lago encontrasse alguma doce criatura,

de mãos prestes a me ajudar a mergulhar…?

Não hesitaria, de forma alguma.

Porque nessa terra de gente sofrida,

onde nenhum ser consegue ser feliz.

Pra quê oxigênio se não temos vida?

E de nada adianta meus prantos,

e nada cura, feridas abertas…

Naquele lago eu vejo acalanto,

E a criatura bela a me chamar.

Vou despida de orgulho,

esse aqui que só me deu tristeza.

Levarei a esperança,

essa nunca é demais.

Mas a cólera não me deixa ir,

junto com a dor me prendem em seus braços

E aquela criatura, face preocupante

Reza para que eu seja mais forte

Quero me afogar, me deixem!

Até o ultimo fôlego quero perder

Mas eles avançam e tonteiam

E o lago seca ao me ver.

 

Algum dia vou sair andando

E serei livre

E deixarei as pessoas estéreis

Com sua segura esterilidade

Partirei sem deixar o novo endereço

E atravessarei alguma selva desolada

Na qual deixarei ficar o mundo

Depois sairei andando livre de cuidados

Como um atlas desempregado

 James Kavanaugh, Will you bemy friend?

 

E se me encontrarem no meio do caminho, me lembre quem são…

Ótimo! Quatro anos fazendo um curso que desde o primeiro semestre você jurava que era dos seus sonhos. Muitos estudos, estresses, cabeças quentes (e frias), bons professores, péssimos professores, colegas que viram amigos eternos, expectativa para entrar no mercado e PROJETO EXPERIMENTAL!

Entrei em Publicidade e Propaganda por causa da minha mãe. Por mim, na época, entraria em Letras pela minha desastrosa mania de querer escrever e ler tudo (grande ingenuidade). Minha mãe formada em Letras, não queria que a filha repetisse o curso. Enfim, ela sempre achou que Publicidade era minha cara, e coração de mãe, né? Mesclado com a obediência de filha, Publicidade pra dentro.

Amei o curso desde o início, e lá fui eu, entre trancos e barrancos, me pegando em Mídia II (numa briga de amor e ódio com Dudu Malvadeza), colecionando alegrias, prazeres e talentos. Eis que chega a parte final do processo, a mais esperada, o resultado de inteiros quatro anos, a parte mais importante e… empolgação zero!!!

Como assim empolgação zero?

Exatamente a pessoa que colocou com entusiasmo muita energia e amor em tudo que fazia na faculdade, hoje não tem a mínima vontade de concluir seu curso.  Cadê a magia? Cadê a expectativa? Cadê a futura Publicitária? Será que é normal ter essa síndrome de final de curso?

Espero voltar com boas notícias de novo ânimo…

Lore Almeida

Não tão simples. Pelo contrário. 22 anos e prestes a se "formar" como Comunicóloga, porém, já formada desde o berço. Lorena Almeida. Lorena porque meu pai é loiro e minha mãe morena, muito criativos esses seus pais!!! Eterna metamorfose, tudo demais e transbordante. Vida!!! Mais do que pode suportar... Às vezes explode, explosão de fúria, amor, desequilíbrio. Tem vezes que se sente a velha mais rabugenta do mundo, outras, a criança mais desprotegida e entusiasmada que existe. Esforço, amizade, família, namorido, INTERNET, atualidades, notícia, diversão, cinema, faculdade, publicidade, arte, sapatilhas, chocolate, comida oriental... Perseguidora das respostas, mas sem interesse de achá-las prontas. Discussão, discórdia, OPINIÃO. "Não sou redentora da razão. Ela está em partes, precisamos uní-la".

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