Qualquer semelhança é mera coincidência.

Ela encontrou com ele numa mesa de sinuca. Uma amiga os apresentou e enfim, ela atraía todas as atenções, mas de um jeito estranho quem se sentiu atraída foi ela. De início era mesmo pelo bom papo, e pelo jeito “dele” falar como se fosse o mais íntimo dos seus amigos. Depois pelas coincidências de personalidade e opinião. Eles sentiam igual, o mundo, as relações, as sensações… Uma semana passou e eles se falavam todas as noites quando ambos chegavam em casa do trabalho. Decidiram outro encontro e no final do dia recebi este email:

“Sabe quando você sabe que é especial? Não, não foi a primeira vista. Ou foi e eu não percebi? Eu penso que foi rápido e construtivo cocomitantemente. Não dá pra compreender bem uma coisa: É possível construir algo sólido em pouco tempo? Sólido não como estado físico, mas como qualidade, clareza, e fortaleza. Eu sinto que foi o que aconteceu apesar de paradoxo. Aí as coisas se concretizam e se afirmam. Como se o destino quisesse dizer, ‘sabe aquilo que você imaginou não existir? É utopia e está na sua frente’. Levando em conta que utopia pode ser comparado com fantástico, e voltando pra minha realidade, vejo que não é tão irreal assim.
É tudo louco, como a mim e a minha vida. Mas é tudo tão certo, óbvio, fantástico, fato!”

Dias sem notícia. Até achei que a paixão tinha passado. Não é a primeira vez que ela me relatava algo assim arrebatador. Mania de se aventurar… Mas eu estava errada, comparecia ela novamente na minha caixa de email:

“Eu vou te dizer como ele é. O visual é como aquele que eu acho o ideal. A boca é um imã perigoso. Tem um sorriso que desarma e acalma. Mas as mãos me deixam tensa. Às vezes é magia, às vezes é simples… Por mais que eu não queira, eu me sinto parte dele. Com a gente tudo se encaixa. E sabe qual é o melhor? A gente não é obrigado a se falar, a se encontrar. E nem existe regra além de uma: continuarmos especiais. Eu nunca coloquei uma máscara sequer. Eu nunca precisei me vestir. Eu nunca deixei por falar. É como se eu me mostrasse por completa. Ele entende, observa, concorda, e ainda complementa. E apesar de tudo, apesar de eu sentir que ele se despe igualmente pra mim, ele é um mistério. Não saber como nós vamos acordar amanhã é o que me faz acordar e dormir com ele na cabeça. É estranho, você já me viu falar assim?”

Não querida. Eu nunca vi. E certamente vai ser a última vez que verei!

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