Como faz pra não se aposentar da escrita?

Faço de tudo pra ter inspiração, da página do site da Globo.com a blogs altamente intelectuais… Mas ultimamente nada funciona.

Quando eu era criança, assim que comecei a escrever, passei a escrever mais, mais e mais. Aquilo foi se tornando um vício. Partiu de cartas e mais cartas à minha mãe a poeminhas juvenis, e até romances infantis (Totó e seus dois doninhos 1, 2, 3 e lá vai fumaça). Aí na adolescência me aventurei nuns romances mais “elaborados”, escrevia poemas diversos, e eu era boa sim, tinha criatividade… Tudo bem que quase tudo era baseado nos conflitos da juventude adolescente e nada mais clichê que isso, mas eu desenvolvia muito bem, e as poucas pessoas que liam (eu tinha vergonha de mostrar) gostavam e incentivavam.

Na faculdade as coisas foram se definhando. Comecei a trabalhar mais seriamente, não tinha tempo nem pra coçar minhas costas, e parece que nada combina mais com a escrita do que a ociosidade. Me aventurei num Blog, e em outro e hoje estou aqui, mas o ritmo miserável que se tem quando se torna adulto me fez raciocinar pros meus textos uma vez por mês. E assim fica foda e duro pra quem produzia pra caralho todos os dias.

Qual o segredo pra aguçar a criatividade? Ler mais livros, ver mais filmes, talvez menos novelas, menos programas de auditório, assistir mais peças de teatro, ou não ir naquele churrasco no domingo? Não me mande relaxar, porque isso é caso perdido. Só queria recuperar aquela insana que escrevia até doer. Que lia e sentia vergonha do que lia, mas no fundo se achava o máximo. Devo estar na crise da aposentadoria. E aí velhinha que sou, tenho que fazer caminhadas pela manhã, abrir um caderno de palavras cruzadas pela tarde e entrar nas aulas de dança de salão à noite. Movimentar né? Quem sabe não saio desse estado de espírito de bloqueio mental?

Eu tenho um amigo de infância que me diz todas as vezes que fala comigo pelo msn: “Lore, não esqueça da menina seca e faminta que gritava aos 10 os sonhos de livraria e tarde de autógrafos”.

A fome e o sonho continuam os mesmos.

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