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Porque são anos, muitos anos de muito amor.

Porque o conheci com cabelos nos ombros, rosto de menino e já muito encantador.

Porque foram confidências demais para serem esquecidas.

Porque são milhares de declarações e evidências infinitas.

Porque ele tem mil “jargões” que me acompanham até hoje, né macho?

Porque eu sou a melhor das melhores amigas, eu acho.

O tempo longe só fez eu me certificar o quanto você é especial. O quanto você é importante e o quanto você me faz falta.

Já quase quebramos um guarda-roupa pra fazer fogueira, já rimos da cara do outro, já choramos nos braços do outro, já corremos no mar, já nadamos na pista, já nos ferimos, já nos saramos. Você é um dos poucos que me conhece de verdade, e eu sou uma das poucas que sabe das suas besteiras. E no final das contas descobri, que lá no fundo da alma e das lembranças mais bonitas da minha juventude, tem um tal de Ciro Colares, meu menino, meu querido e meu amigo, sempre presente, sempre!

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18 de junho de 2010 às 12:30 o mundo ficou ainda mais cego.

“Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia mais.” José Saramago.

Para mim definitivamente hoje não é só um dia a mais.

Lembro-me como se fosse hoje. Há 8 anos atrás, numa vasculhada absolutamente normal, que eu fazia na Biblioteca do Colégio, encontrei um livro cujo título era: “Ensaio sobre a cegueira”. Achei interessante, e este livro era de um autor que até então eu só conhecia de ouvir falar. Consegui ler em duas noites. Fiquei fascinada com o teor de realidade do livro. E da forma com que o escritor relatava essa realidade. Depois desta vieram outras obras, mas o que me deixava ainda mais fã era o que vinha dentro de tudo o que eu lia. Um senso de humanismo inacreditável. Talvez eu nunca tenha visto alguém retratar o ser humano como divino e ao mesmo tempo pecaminoso e passear pelos contornos psicológicos da pessoa humana com um envoltório sábio, lúcido, visceral e mágico.

Pra quem não sabe, o José Saramago era ateu, ou como ele mesmo disse: “Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro.” E de uma forma contundente e intelectual de encarar a religião, Saramago criou uma relação de intensa tensão com o Catolicismo, religião esta ainda poderosa em Portugal, país onde nasceu. E por desafiar e criticar a Bíblia, livro sagrado e intocável, o escritor foi considerado herege pelos Católicos e foi intensamente perseguido por eles. Mas o que mais me marcou nessa passagem, foi a provocação ao raciocínio que Saramago tentava ascender. O combate da “insolência reacionária” com a “insolência da inteligência viva”. Certamente, uma Instituição como esta, ainda tão iludida numa superioridade que não mais existe, com certeza não soube ouvir as indagações tão lúcidas e pertinentes de Saramago. Mas era de se esperar…

O mundo ainda é cego. As pessoas não estão acostumadas a questionar as “verdades absolutas”. Acomodam-se em pensamentos repetidos, é mais fácil deixar pensarem pela gente. Estamos condicionados a leituras fáceis, a consumir informações irrelevantes… Pensar no papel do homem no Universo esta além de religiões. E era assim que Saramago pensava. Não é uma religião que vai me dizer como devo me comportar. Principalmente… Eu quero questionar, eu quero ter o direito da dúvida, e tudo o que me negue isso não há porque eu me inclinar, ou admirar. O compromisso dos representantes religiosos deveria ser com Deus e não com o poder. E o compromisso deste escritor era com a verdade, era com a liberdade.

Fora a polêmica com a religião, Saramago quando afirmou que “os Judeus não merecem simpatia pelo sofrimento que passaram durante o Holocausto… Vivendo sob as trevas do Holocausto e esperando ser perdoados por tudo o que fazem em nome do que eles sofreram parece-me ser abusivo. Eles não aprenderam nada com o sofrimento dos seus pais e avós” provocou indignação do grupo judaico de defesa contra os civis, a ADL, chamando o escritor de anti-semita, considerando-o preconceituoso com relação aos judeus. E esse tema pra mim tem tanto significado, afinal, sou uma curiosa nata com relação a história do povo judeu antes e depois do Holocausto, e sinceramente, apesar de toda revolta pelo acontecido, não julgo e nem nunca julguei os judeus como pobres coitados, acredito que não é um episódio na História que vai apagar todo o resto, e também creio que O enfraquecimento dos valores humanistas de cooperação e solidariedade gerou naquela sociedade um estilo de vida materialista” fato este que considero de uma ambiguidade curiosa.

Meu escritor ganhou em 1998 o Prêmio Nobel de Literatura, o primeiro concedido a um escritor de língua portuguesa e de certa forma ajudou a disseminá-la pelo mundo.

Como se não bastasse, José Saramago protagonizou uma história de amor digna de um belíssimo filme de romance (e já vou profetizando que um filme sobre essa história ainda vai ser feito). Conheceu sua última esposa, Pilar Del Rio – jornalista espanhola, em 1986, até então fascinada pelas leituras recentes de todas as obras do escritor que até pouco tempo não conhecia, na condição de fã instantânea. Um primeiro encontro marcante, e mais, um encontro de almas gêmeas, afins e simpáticas. A diferença de  “apenas” 28 anos deu profundidade nesse amor que cura. É, que cura. Numa entrevista em um programa da Globo News em 2008 se não me engano, Saramago diz que a sua esposa foi o motivo de ter se recuperado de uma enfermidade na época. Que poderia até parar de escrever, mas não conseguia se imaginar sem ela. E ele não me cansava de admirá-lo.

Para finalizar esse post, num intuito singelo de homenagear um dos meus maiores ídolos, copio a resposta dele a uma pergunta sobre vida eterna.

“Realmente, não acredito na vida eterna, embora vá inventando formas de dar-lhe alguma eternidade à vida. Quando invento [em Todos os Nomes] uma conservatória [arquivo do Registro Civil] onde estão todos os nomes e um cemitério onde estarão todos os mortos, no fundo é uma forma de dar eternidade àquilo que não é eterno, ou pelo menos dar-lhe permanência. Se não fosse essa história do meu irmão, talvez escrevesse um livro chamado Todos os Nomes, mas seria outro totalmente, porque a minha busca dos dados referentes a ele é que me leva, no romance, a dar numa conservatória. Parece haver uma espécie de predestinação em tudo aquilo que faço. Há coisas que acontecem e que suscitam outras idéias, portanto é tudo uma questão de estar com atenção ao modo como essas idéias se desenvolvem. Algumas delas não têm saída, mas há outras que encontram seu próprio caminho. Não escrevo livros para contar histórias, só. No fundo, provavelmente eu não seja um romancista. Sou um ensaísta, sou alguém que escreve ensaios com personagens. Creio que é assim: cada romance meu é o lugar de uma reflexão sobre determinado aspecto da vida que me preocupa. Invento histórias para exprimir preocupações, interrogações…”

Lore Almeida

Não tão simples. Pelo contrário. 24 anos e formada como Comunicóloga desde o berço. Lorena Almeida. Lorena porque meu pai é loiro e minha mãe morena, muito criativos esses seus pais!!! Eterna metamorfose, tudo demais e transbordante. Vida!!! Mais do que pode suportar... Às vezes explode, explosão de fúria, amor, desequilíbrio. Tem vezes que se sente a velha mais rabugenta do mundo, outras, a criança mais desprotegida e entusiasmada que existe. Esforço, amizade, família, namorado, INTERNET, atualidades, notícia, diversão, cinema, publicidade, arte, sapatilhas, chocolate, comida oriental... Perseguidora das respostas, mas sem interesse de achá-las prontas. Discussão, discórdia, OPINIÃO. "Não sou detentora da razão. Ela está em partes, precisamos uní-la".

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